A verdadeira alma de Cusco no Mercado de San Pedro!

Não é nenhuma novidade que eu sou apaixonada por mercados, pois em quase todas as cidades que eu visito, faço o possível para conhecer, pelo menos, o mercado principal. Em Cusco não foi diferente, conheci o famoso Mercado de San Pedro.


Apesar da fama, ele não é muito frequentado por turistas, já que o forte do lugar não é artesanato e sim, alimentos. Os maiores frequentadores são os próprios cusquenhos, então, mesmo que não se queira comprar nada, é uma ótima oportunidade para conhecer um pouco mais sobre a "verdadeira alma do lugar”.


O Mercado de San Pedro é um enorme pavilhão coberto, com diversas bancas que vendem frutas, verduras, queijos, roupas, carnes, ervas, chás, café, enfim, uma infinidade de produtos que a população local utiliza no seu dia a dia.


Na parte dos sucos, que fica bem no início, até podemos encontrar vários turistas, mas “adentrando no mercado”, o que mais se vê são os peruanos mesmo.


A maioria dos atendentes nas tendas (ou bancas) do Mercado de San Pedro é de mulheres. Na parte dos sucos, tivemos a nossa preferida, que nos atendeu super bem. 


Tomamos suco com um mix de frutas escolhidas por nós, pagamos 6 soles cada copo e para nossa surpresa, no final, ainda ganhamos mais um copo cada uma. Ou seja, cada copo acabou custando 3 soles cada. Tem até uns banquinhos de madeira para a gente sentar enquanto saboreia o suco. Claro, voltamos no dia seguinte para mais um delicioso suco de frutas.


Os cusquenhos são muito religiosos. Vi pequenos altares em quase todos os lugares, inclusive no meio do Mercado de São Pedro.

O Mercado de San Pedro é bastante movimentado, mas não chega a estar lotado a ponto de não conseguir ver nada direito. Muito pelo contrário, é bem tranquilo passear por ele. Não sei se é assim em todos os horários, mas na metade da manhã e no início e meio da tarde ele é bem tranquilo.


O colorido das flores e das frutas alegra os olhos. A parte de roupas (camisetas, mantas, gorros) não é muito grande, fica num corredor bem no início do mercado. Aliás, este é o grande diferencial do Mercado de San Pedro: não ter virado uma grande feira de artesanato!


Parte dos têxteis: chapéus, mantas, blusões, camisetas, etc...

A parte de artesanato tem também muita coisa feita de palha, como estas bolsas e cestas coloridas.


Depois do corredor dos sucos, tem uma espécie de “praça de alimentação”. Tem a parte em que o pessoal come no balcão mesmo e na parte lateral existem algumas mesas. Não me atraiu visualmente e pulei este corredor.

Parecem cogumelos, mas é uma espécie de batata. Os outros, são grãos de milho.


Na parte mais central estão as sementes, nozes, cereais e especiarias. Só de milho parece que são centenas de espécies. Além de milho, os peruanos adoram quinoa. No mercado tem à venda quinoa branca, vermelha e negra.

Hum... frutas secas e castanhas: me gusta mucho!


Além dos grãos e cereais, eles vendem também as folhas verdes de coca (vide saquinhos no canto inferior direito da foto acima).

Café, chás, suplementos vitamínicos, muitas folhas e balas de coca.

Na foto acima eu identifiquei grãos de milho, cestas de palha e camomila (florzinha branca e amarela). O resto não sei o que é.

Cacau peruano

Tem também café, cacau, chocolate, doces, pães, chás de todos os tipos, balas de coca e uma infinidade de produtos típicos.

Pacotinhos de chá e especiarias vendidas à granel.

Parte de doces típicos, a maioria à base de leite

Eu comprei alguns chás, balas, chocolates e suplementos em cápsulas de maca, uma raiz que, segundo os peruanos, tem muitas utilidades, mas a principal é a de ser energizante.

Cápsulas de Maca & Ginseng: poderoso energizante natural. Quero só ver!

Comprei vários suplementos com maca, sendo que um possui também ginseng. Ainda não comecei a tomar, mas quero ver se ameniza mesmo a minha frequente sensação de cansaço.

Como eu comentei no início do post, a maioria dos feirantes deste mercado é de mulheres.


Frutas, legumes e verduras muito coloridas e bem fresquinhas. Ali, os sentidos ficam bem aguçados com as cores, os cheiros e os sabores.

Esta banca ficou linda, toda colorida! O aroma das frutas também estava muito bom!

Juro que não entendi tanto interesse desta turista aí no centro (minha irmã), com as frutas. O que será que ela viu que despertou tanto interesse?

E este feirante mirim, tão concentrado na leitura? A propósito, estes potinhos coloridos não são de gelatina e sim, mocotó!

Atração (ou não) à parte: as carnes!


Na parte lateral, que vai do meio ao fundo do mercado, tem o corredor das carnes. Olha, é preciso ter estômago forte para passar por este corredor.

Tripas e outros miúdos

Neste saco, tem até chifres de animais

Cabeças de animais, rabos, tripas, carcaças, enfim, miúdos em geral. Tem até porquinho da India (Cuy), que os cusquenhos adoram comer. 

Não sei nem dizer o que é isso, só sei que o meu estômago  sensível não aguentou...

Eu andei um pouco pelo corredor das carnes e miúdos, mas comecei a sentir náuseas e tive que voltar. Não que seja algo sujo, muito pelo contrário, é bem limpinho, mas o cheiro forte das carnes, com o pessoal mexendo e separando por partes, deixava o ar bem pesado.

Acima, o peixe é salgado para melhor conservação

Apesar desta parte das carnes ser algo visualmente impactante, tudo é muito limpo e organizado neste mercado.


Eu queria ter ido até o fim deste corredor, para ver se via os famosos porcos da India (Cuy), mas não consegui. Esta foto foi a última que eu fiz na parte das carnes e tive que sair daí rapidinho. A carne era fresca, não senti cheiro de carne podre ou estragada, mas era muita carne junta sendo revirada e deveria ter carnes de caça também, que possuem um odor mais acentuado... 


Cuy frito: este é um dos pratos da culinária exótica do Peru, ou seja, o fofinho Porco da India frito. Eles vendem neste mercado e também é servido em restaurantes, mas eu não teria coragem de comer este bichinho tão fofinho!


Bom, me despeço aqui do Mercado de San Pedro e, embora eu não tenha curtido a parte das carnes, adorei todo o resto do mercado.


O Mercado de San Pedro fica próximo da estação de trem de San Pedro, em Cusco. Ele abre diariamente, da 6 horas da manhã até às 18 horas. Eu estava hospedada na Plaza de Armas e o mercado é bem pertinho, fui à pé mesmo.

E você, o que achou do Mercado de São Pedro?
Beijos,
Ana Maria
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Informações básicas sobre Cusco!

O post anterior foi sobre o mal da altitude, o famoso Soroche, que acontece com muitas pessoas, assim que chegam em Cusco, no Peru e neste, vou passar algumas informações básicas sobre a cidade, onde se hospedar, câmbio, o que fazer, etc.

Plaza de Armas e a Catedral de Cusco

Um pouquinho sobre Cusco
Cusco foi a capital do Império Inca, em meados do século XIII. O nome original era 'Qosqo', que significa "umbigo do mundo", em quêchua. Faz sentido, pois Cusco se localiza exatamente no ponto de cruzamento entre dois eixos imaginários, que dividiam o império inca em quatro "suyu" (regiões), onde cada região compreendia um dos pontos cardeais do mundo andino.

Fundação de Cusco, a cidade habitada mais antiga das Américas
Por dados arqueológicos e antropológicos, estudou-se o verdadeiro processo da ocupação de Cusco, mas não se conseguiu uma data aproximada. Porém, graças aos vestígios encontrados, há um consenso de que o local onde se localiza Cusco já se encontrava habitado há 3000 anos. E mesmo considerando apenas a época em que era capital do Império Inca, Cusco aparece como a cidade habitada mais antiga de toda América.

A população da cidade é de cerca de 400.000 habitantes e recebe cerca de dois milhões de visitantes anuais. Desde 1983, Cusco foi declarada Patrimônio da Humanidade, pela UNESCO.

Câmbio
Levamos reais (cash) para o Peru e já sabíamos que o melhor lugar para fazer o câmbio seria em Cusco. Na Avenida El Sol tem muitas Casas de Câmbio, quase uma ao lado da outra e o valor era praticamente o mesmo em todas. No primeiro dia, o valor estava R$ 0,96 reais para cada 1 Sol. Nos outros dias, melhorou um pouco, estava R$ 0,97 para cada Sol. Demos uma chorada e conseguirmos por R$ 0,975. 

Onde se hospedar em Cusco
A melhor região é em volta da Plaza de Armas. É ali que tudo acontece.

Mapa turístico de Cusco - Clique para ampliar

Ficamos em um hotel na Plaza de Armas, bem próximo à Catedral, o Yabar Hotel Plaza. O apartamento era enorme, o pessoal muito atencioso e o café da manhã, bem variado. Porém, para quem gosta de silêncio para dormir, esta região é bem agitada e não sei se é uma boa pedida. Talvez um apartamento de fundos resolveria. No nosso caso, não tinha disponível e ficamos em um apartamento de frente. Mesmo o hotel estando em uma rua lateral, se ouvia o barulho vindo da praça e das pessoas que passavam conversando alto. Sem contar que os cusquenhos adoram bandas de música e soltar foguetes.

*A reserva foi feita através do Booking e eu  super recomendo, pois o site é muito confiável. Eu só reservo através dele. Para fazer as reservas, utilize o banner do Booking ao lado, você não vai pagar nada a mais por isso!

Sábado à tarde, na Plaza de Armas

Cusco está sempre em festa!
Todos os dias tinha alguma comemoração e/ou homenagem a algum Santo e dê-lhe foguete. E todos os domingos também têm festa na praça.

Domingo de manhã, na Plaza de Armas

Quando estávamos lá, no domingo, dia 25 de setembro, o foguetório começou às 6h da manhã. Este foi o único lado negativo, não o das festas, mas do barulho noturno. Não chegou a ser tão ruim assim, mas atrapalhou um pouco, já que eu tenho o sono bem leve. Agora, para quem tem o sono pesado e dorme feito pedra, vai estar tudo ótimo.

Fotinha com uma Chola e sua lhama

Simpatia e atenção extrema
Preciso destacar a receptividade e simpatia do povo cusquenho. Nunca vi um atendimento tão atencioso (não falo apenas em simpatia, mas em disponibilidade para atender) em nenhuma outra cidade do mundo que eu já visitei. E este atendimento não é apenas no hotel ou em um ou outro bar e restaurante. É em todos os lugares. A gente se sente realmente muito bem vindo a Cusco. Ficamos muito impressionadas!


A cidade é cheia de ruelas calçadas com paralelepípedos e sua arquitetura é uma mescla de estilos inca e colonial espanhola. Muitas igrejas e pequenos altares podem ser vistos em diversas áreas da cidade. Os cusquenhos são muito religiosos.

Mercados de artesanato
São vários pela cidade. Na Avenida El Sol eu vi 3 centros de artesanato, sendo que o maior, mais lá pra baixo da avenida, é o Centro Artesanales. 

Centro Artesanales de Cusco

Lá se encontra muitas roupas de lá, lenços, echarpes, camisetas e objetos de prata. Lembre-se de negociar sempre! Esta parte sobre artesanato merece um post mais detalhado, com alguns valores e dicas. Aguarde!

Culinária
A comida é muito deliciosa! O forte são os pratos com peixes e frutos do mar, carne de alpaca e acompanhamentos com milho.

Trucha al horno, no Bar Café Restaurante Fucara 

Também farei um post especial sobre a culinária cusquenha e darei dicas dos melhores lugares para se comer bem sem pagar preço de turista.

Estas foram mais algumas informações importantes sobre Cusco, mas ainda tem muito mais. Nos acompanhe pelas redes sociais como Viagens e Beleza (viagensebeleza): facebook, twitter, instagram, Gogle+, Pinterest, para saber quando tem post novo.

Se tiver alguma dúvida, pode deixar nos comentários!
Beijos,
Ana Maria
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Chegando em Cusco e o mal da altitude!

Chegamos em Cusco (eu e minha irmã) pouco depois do meio dia e o transfer contratado já nos aguardava no aeroporto. A altitude de 3.400metros (acima do nível do mar) não causou nenhum mal estar na chegada. Tudo estava normal.

Aeroporto de Cusco, com minha irmã Mari.

Seguimos para o hotel, fizemos o check-in e recebemos na hora um copo de chá de folhas de coca, para amenizar os efeitos da altitude, o famoso soroche.


Bebemos o chá de folhas de coca, largamos as malas e saímos para almoçar e também para dar uma voltinha de reconhecimento, pois no dia seguinte já iríamos para o Machu Picchu.

Soroche, o Mal da Montanha
Enquanto procurávamos um restaurante para almoçar, caiu uma chuva forte e nos abrigamos numa farmácia. A chuva não parava e nós de pé, aguardando uma trégua. Nesta hora eu comecei a passar mal. Era o soroche me recepcionando. Isso aconteceu cerca de 2 horas após ter pisado em solo cusquenho. Tontura, cabeça pesada, mal estar e ânsia de vômito. Pensei que fosse desmaiar, pois minhas pernas começaram a ficar bambas, mas aguentei firme, pois vi que minha irmã estava bem e eu não queria assustá-la. 

*Soroche, ou Mal da Montanha, ocorre geralmente a altitudes acima de 2.400metros e atinge as pessoas que vêm de lugares mais baixos, por conta da menor concentração de oxigênio na atmosfera.

Assim que a chuvinha deu uma folga, saímos da farmácia e entramos no restaurante mais próximo (Trattoria Adriano), pois eu precisava sentar, beber um pouco de água e comer alguma coisa. Já era meio da tarde e não tínhamos almoçado ainda.

Sopa de legumes na Trattoria Adriano

Pedimos uma sopa leve, pois meu estômago estava muito embrulhado e, neste momento, foi a vez da minha irmã começar a se sentir mal. Depois que comemos a sopa de legumes, começamos a nos sentir melhor e pedimos uma das especialidades de Cusco: Trucha al Horno (Truta ao forno). Infelizmente não tiramos foto deste prato, pois quando ele chegou, o soroche tinha dado uma trégua e estávamos famintas. 

Só depois de descansar um pouco, é que fomos dar mais uma voltinha pela Avenida del Sol, a principal da cidade e retornamos ao hotel para evitar passar mal novamente.

Perigos do Soroche
Além de ânsia de vômito, tontura, forte dor de cabeça, falta de ar, coração palpitante, o soroche pode ser extremamente perigoso para quem tem problemas de hipertensão. A respiração fica mais rápida e os batimentos cardíacos aceleram bastante, enquanto o nosso organismo tenta se habituar à altitude.

O Mal de Montanha agudo pode evoluir para um edema pulmonar de grande altitude ou um edema cerebral de grande altitude, ambos potencialmente fatais.

Dicas para combater o mal da altitude: é preciso muito cuidado e descanso nas primeiras horas, caminhar devagar e nada de sair batendo pernas pela cidade, querendo conhecer tudo no primeiro dia. Beber muito líquido, inclusive chá de coca, que é digestivo e evitar a ingestão de bebidas alcoólicas e alimentos pesados, de digestão lenta. Qualquer mal estar mais sério, falta de ar ou muita sonolência, procurar imediatamente um atendimento de urgência.

Importante: muito cuidado ao ingerir medicação em Cusco, principalmente remédios para dormir, que causam diminuição da frequência respiratória e, devido ao ar rarefeito da altitude, isso pode ser fatal. O ideal é consultar seu médico antes de viajar, caso você faça uso de medicamentos diários. E não tome nada por conta própria.

Quanto tempo durou o soroche?
No dia seguinte, fomos a Machu Picchu (2.400m de altitude) e não sentimos nada. Na volta para Cusco e na manhã do dia seguinte, ainda sentimos um pouco de mal estar. Na parte da tarde nós melhoramos e ficamos totalmente ambientadas, sem nenhum outro desconforto até o final da viagem. 

Achei interessante esta reação, pois em abril deste ano eu visitei Ladakh, na India, e fui a uma altitude muito maior, de quase 5.000m. Em Ladakh eu senti falta de ar e muito cansaço físico, mas o mal estar de Cusco foi muito pior.

Você já esteve em algum lugar com altitude acima de 2.400 ou 3.000m? Sentiu algum mal estar?

Beijos,
Ana Maria
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