Participando das orações muçulmanas durante a Peregrinação Anual em Ajmer!

Eu citei em outro post sobre a espiritualidade dos indianos, que cerca de 80% da população é hindu, 14% muçulmana e os outros 6% são sikhs, budistas, etc. e já postei também sobre minha ida a um templo hindu. Hoje, vou mostrar como foi a minha visita à uma mesquita na cidade de Ajmer. 

Ajmer é a quinta maior cidade do Rajastão, região norte da Índia, com uma população de cerca de 551.360 habitantes e fica distante 391km de Delhi, a capital da Índia. 


Cercada pelas montanhas Aravalli, Ajmer é um grande centro de peregrinação para Dargah Shariff, ou Ajmer Shariff, como também é chamado, onde se encontra o túmulo do santo sufi Harzat Khwaja Moinuddin Chisthi, um dos mais importantes santos para os muçulmanos. Entre os seus discípulos, incluíam também os imperadores mughais.

Curiosidade: este local é adorado tanto por muçulmanos quanto por hindus!


* Dargah: nome dado ao túmulo de algum importante santo ou líder muçulmano.

Pessoas de todas as castas, seitas e crenças podem entrar e fazer as suas orações no Dargah.

Seu estilo arquitetônico, com onze arcos, é típico Mughal e seu interior é ricamente adornado com ouro e prata e o mármore branco foi extraído das mesmas minas em Makrama, de onde também foi extraído o mármore usado na construção do Taj Mahal, em Agra.

Para entrar no local é obrigatório tirar o calçado e cobrir a cabeça.

No seu pátio interno abriga a mesquita Akbari Masjid, que foi construída no século 16, pelo rei Mughal Akbar, em devoção e gratidão pelo nascimento de seu filho, o príncipe Salim (Jahangir).

Akbar foi o primeiro imperador mughal a visitar o Dargah a pé, quando Ajmer ficou sob sua posse. Ele percorreu todo o caminho a pé, de Agra até Ajmet. 

Todo ano, no mês de maio acontece uma peregrinação ao Dargah, com fiéis vindos de todas as partes do mundo. Em maio deste ano, havia uma brasileira entre eles: eu!

No Dargah existe também uma Instituição de Ensino de Educação Religiosa para as crianças.

Para controlar o tempo das orações, vários relógios na entrada da mesquita

Akbari Masjid está localizada no lado direito da entrada principal. A fachada é decorada com ouro, bem como os lustres de cristal belga, que pendem do alto, no lado de dentro do santuário. Os relógios são outra característica regular de mesquitas e túmulos, para manter o controle do tempo de oração dos fiéis.


Minha ida à mesquita não foi uma visita comum, muito menos turística. Eu fui convidada a participar das orações, junto com as mulheres muçulmanas do local, durante o mês das peregrinações.

Quando se entra neste santuário, o que se vê é um outro mundo. Todos com o pensamento voltado para as orações. Cheguei ao Dargah ao entardecer, pouco antes da oração do crepúsculo. 


Muitas mulheres querendo tirar fotos comigo, era notório que eu era estranha ao local. Muitas perguntas, de todo tipo, foram feitas a mim pelas mulheres, curiosas com a minha presença. Várias ajeitavam o meu lenço, que insistia em escorregar pelos meus cabelos bem lisos, devido a uma recente progressiva, feita ainda no Brasil (e que venceu antes do meu retorno...).


Uma multidão de homens, mulheres e crianças circulam pelo interior do Dargah. No momento da oração, os homens se dirigem a um pátio e as mulheres vão para outro recinto. As orações, que duram cerca de 10/15 minutos, são feitas separadamente. Depois, todos voltam a se juntar e a circular pelo Dargah.

Os arranjos de pétalas de rosa emitem um perfume incrivelmente forte, que invade o ambiente. 

Flores e arranjos são vendidos lá dentro para serem oferecidas em "altares" específicos e eu vi também um gigantesco poço onde os fiéis depositam as suas doações. Ninguém é obrigado a doar nada, faz isso quem quer e pode.


Presenciei também um ritual com música e bater de tambores, algo inexplicável para mim. Eu pensava que as preces eram apenas aqueles momentos de silêncio e concentração, mas é muito mais do que isso. Não sei se as festividades e rituais que eu presenciei são normais ou acontecem apenas no mês da peregrinação.

Não é permitido câmeras fotográficas no Dargah, mas fotos com celular está liberado. Apenas no interior da mesquita não é permitido nenhuma foto.

Atentado terrorista: em 11 de outubro de 2007, às 18h12min, logo após à oração da noite, ocorreu uma explosão próximo de um pátio externo do Dargah. Três pessoas morreram e 17 ficaram feridas. A bomba encontrava-se em um carro e concluiu-se que os aparelhos celulares encontrados no local foram usados para ativar o dispositivo.


Uma enorme concentração do comércio da cidade, principalmente de alimentação, gira em torno deste Dargah e após as orações, o movimento em volta é bastante frenético. Existem muitas opções de lanches, restaurantes veganos e não veganos. Muitos doces típicos super diferentes também são vendidos nas lojas/bancas em volta do Dargah.

Após as orações, todos os locais em volta ficam lotados de pessoas, pois mesmo quem não está com fome, é atraído pelo aroma dos temperos e comidas típicas.

Essa foi a minha primeira experiência em uma mesquita na Índia. Eu já tinha visitado uma mesquita em Curitiba/PR, mas nunca tinha participando antes das orações. Depois eu visitei outra mesquita em Srinagar, na Caxemira.


Participar das orações, especialmente no mês das peregrinações e pré Ramadã (período sagrado dos muçulmanos) foi uma experiência bastante interessante. Eu também não escondi de ninguém que não era muçulmana e, mesmo assim, fui muito respeitada!

O que você achou, também entraria numa mesquita e faria as orações como eu? 

Beijos,
Ana Maria
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4 comentários :

  1. Ana que legal!
    Eu admiro muito você, pois em todas suas viagens você se esforça ao máximo para conhecer mesmo cada cultura! Parabéns!
    Beijocas.
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    Respostas
    1. Oh Mari querida, muito obrigada!
      Mas é verdade, quando eu viajo, apesar de ser uma turista, eu tento me entrosar ao máximo com o povo local. Só assim eu realmente aprendo um pouco mais sobre como eles vivem e como é a cultura deles.
      Beijão!

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  2. Sim Ana Maria, entraria por mera curiosidade mesmo, deve ser algo muito diferente, e também pra usar esse lenço, acho interessante...embora esse assunto de Religião seja meio complexo demais, pouquissimo entendo, mas vejo que você mergulha mesmo na viagem, e na Índia isso deve ser essencial. Você faz Diário durante a Viagem? Eu começo e lá pelo meio já esqueço de anotar.Bjs.

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    1. Oi Wilma, eu tenho um profundo respeito por todas as religiões, pois acredito que a fé é o que alimenta a nossa alma e a nossa esperança. E fé é muito pessoal, cada um acredita no que toca o seu coração.
      Procuro sempre me entrosar ao máximo quando viajo, não gosto de ser apenas uma mera espectadora.
      Não fiz diário, mas anotei algumas coisas num caderninho, tipo preços, nome de algumas coisas. O resto, é só eu olhar para as fotos que vou me lembrando de cada momento.
      Daqui há algum tempo, certamente muitas coisas eu vou esquecer, mas é só eu vir aqui no blog e relembrar, hehe...
      Beijos

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